Pós- operatório

 
 



Para se obter sucesso no tratamento, é muito importante  a colaboração dos pacientes.


Abaixo  algumas orientações  no pós operatório:


Pós-operatório imediato


Geralmente varia de dois a sete dias. Em grandes ferimentos abertos, pode se estender por trinta ou mais dias.

No primeiro dia após a cirurgia o paciente deverá permanecer no leito com o membro elevado

No terceiro dia o paciente será estimulado a sair do leito e permanecer em pé apoiando sobre o membro operado.

O primeiro curativo, no ponto de inserção dos pinos e fios, será feito 24 horas após a cirurgia.  É importante que o paciente ou algum familiar aprenda a fazê-lo. São curativos simples que poderão ser feitos na própria residência

Antes da alta necessitará aprender a manipular o aparelho, para que ocorra o alongamento corretamente. Costumamos fazer um desenho esquemático explicando o  ritmo de alongamento.

              É preciso prestar muita atenção nas orientações médicas de como utilizar as chaves de boca. O paciente é orientado a girar o dispositivo de alongamento (porca) em 90º, em intervalos estipulados pelo medico. O ritmo deverá ser obedecido. Se for rápido demais poderá ocorrer dor, pela tração inadequada dos tecidos, se lento correremos o risco do osso consolidar antes do período previsto.


           Durante o seguimento ambulatorial, o médico por meio de avaliações radiográficas, poderá alterar esse ritmo. É importante o paciente traga as radiografias do pós-operatório nas consultas ambulatoriais.


         O paciente não deverá sair do hospital com duvidas em relação a manipulação do aparelho e curativos. Deverá sentir-se a vontade em fazer perguntas e esclarecer todas as duvidas na ocasião da alta. Dessa forma evitaremos que qualquer erro possa comprometer o resultado final.



2– Curativos:


Um dos problemas mais frequentes no uso do fixador externo é a infecção no trajeto dos pinos e fios. Quase todos pacientes apresentam pelo menos um episodio durante o tratamento. Esta infecção causa dor e calor no local. Geralmente são superficiais e, quando tratadas no inicio, levam apenas a um desconforto. Entretanto, se não tratadas adequadamente, podem causar  soltura dos pinos, instabilidades no aparelho e infecção profunda do osso (osteíte). Os curativos e a boa higiene no uso do fixador externo, minimizam estas complicações.

A limpeza no fixador e os curativos deverão  ser feitos diariamente.   No banho será feito com  sabonete antisséptico de Clorexidina 2,0% , e após o membro deverá secado  utilizando-se um secador de cabelo.

            Estando o aparelho bem seco, o local de  inserção de cada pino ou fio deverá ser higienizado com agua oxigenada (10 volumes), utilizando-se de cotonetes ou escova apropriada. Se houver sinal de infeção no local do pino, o material usado no curativo deverá ser descartado. Os pinos e fios deverão ser envolvidas em solução de álcool a 70 % com  Clorexidina a 0,5%.



3- Importância em manter atividade física 


Embora pareça impossível andar com o fixador externo circular a deambulação é de suma importância na evolução do tratamento.  Segundo a literatura o aparelho pode suportar mais de 200 kg. Ao caminhar o paciente coloca em funcionamento músculos que estavam parados ha muito tempo. Com a descarga do peso sobre o osso, a circulação local é favorecida e a osteogênese se processa mais rapidamente. Muitos pacientes conseguem praticar ciclismo, natação e hidroginástica durante o uso do fixador externo de Ilizarov. A natação será contra indicada no primeiro mês de pós-operatório, ou em casos de infecção no local  pino ou em ferimentos expostos.


No primeiro mês ele aprenderá a ficar em pé, equilibrando-se com o aparelho. No segundo mês iniciará as caminhadas com auxílio de andadores ou muletas e progressivamente passará para uma só muleta e depois livremente.




4- Tempo de uso do Fixador Externo


Todo paciente quer se ver livre logo do fixador e isso  o angustia. Não há uma regra exata. A pergunta é sempre a mesma:

QUANTO TEMPO EU VOU LEVAR PARA CRESCER 10 CENTÍMETROS?


O crescimento ósseo dependerá da vários fatores como idade do paciente, gravidade do caso, infecção previa, doenças pré-existentes como diabetes, hipertensão, uso de corticosteroides.

           

             Costumo responder ao paciente que o tempo de demora para alongar ou repor uma falha óssea, multiplicado por 3, será o tempo que permanecerá com o fixador.


5- Retirada do Fixador  Externo



A interpretação radiográfica nesta hora é fundamental, entretanto, como na maioria das vezes utilizamos fixadores externos em aço inoxidável, a visibilidade dos focos em estudo fica prejudicada. O metal se interpõe ao foco  restando incerteza quanto a retirada ou não do aparelho. Por questão de segurança utilizamos então   “ O Desmame do Aparelho “. Nesta técnica soltamos as hastes do fixador alternativamente, até que todas estejam soltas.  Assim, direcionamos o peso do corpo a se concentrar mais no membro apoiado e menos no fixador.

Há pouca descrição na literatura sobre a técnica de retirada do fixador externo. Entretanto, sabe-se de muitas complicações nesta hora, indo desde a quebra de pinos, até fratura da área regenerada.   Alguns fixadores externos circulares poderiam ser retirados em ambulatório através de uma leve sedação. Sou da opinião que esse procedimento devera ser realizado em centro cirúrgico, minimizando o risco de complicações como sangramentos. Em nosso serviço costumamos retirar o fixador externo, sempre em Centro Cirúrgico, sob anestesia.  Internamos o paciente como se fosse para uma cirurgia normal. Embora não tivemos acidente vascular nesta hora, sempre deixamos sangue reservado por segurança.  O planejamento da retirada do fixador deverá  ser realizado para cada paciente.  A desmontagem do fixador deve levar  em  consideração as áreas em tratamento (áreas de regeneração alongadas, transportadas ou de fraturas).  Inicialmente cortamos os fios presos ao anel, a seguir soltamos os pinos e finalmente abrimos o fixador em duas partes, como se abre um livro. Acreditamos ser este o método menos traumático.  O membro é limpo e curativos são colocados onde estavam os pinos e em seguida, uma tala gessada é aplicada. A alta hospitalar se dará no dia seguinte, após a troca do  curativo.

O paciente deverá retornar ao ambulatório após sete dias, para controle radiográfico, curativos e orientações.

 

Grato a vocês por me escolherem como seu médico

ORIENTAÇÕES AOS PACIENTES